ANO EUROPEU DO DEFICIENTE

Este é(foi 2004) o “Ano Europeu do Deficiente”. Esperemos que não seja só um título pomposo, mas que represente uma verdadeira vontade de mudar, barreiras físicas e psicológicas.
A esposa de um amigo nosso tem uma deficiência física, e sabem lá as histórias insólitas que ele conta. A última foi a compra de um carro, com uma declaração do médico na mão, andou a senhora de ministério em ministério, entregando fotocópias autenticadas do mesmo, ou seja teve de ir ao ministério-notário-ministério-ministério-ministério, para tratar de uma qualquer isenção, e para conseguir o dístico para o carro de deficiente lá teve de voltar à burocracia, papéis, autenticações, euros, euros e mais euros. E para ir à Repartição de Finanças da área de residência deles, que fica no segundo andar e cujo único acesso é por escadas, assim como ela qualquer outro deficiente de Queijas tem de pedir a um amigo que trate dos seus assuntos. E o caso das botas ortopédicas que só tem comparticipação de um par por ano?
As barreiras arquitectónicas são muitas, constrói-se sem pensar nos que tem mais dificuldades, mas também cada um de nós que estaciona um carro no passeio impedindo uma cadeira de rodas ou um carrinho de bebe de passar? E os candeeiros de iluminação pública que estão no meio de passeios estreitos?
Quando é que mudamos assim tanto, quando é que a nossa mentalidade passa a ser racista, xenofobista, ista, ista? Não nascemos assim, e tenho a prova disso, na sala do meu filho de 4 anos há uma criança de raça negra, bem na verdade o menino parece um chocolatinho de leite e há um menino com atraso na fala que são muito bem integrados. Aliás, há dias a fazer um puzzle com bonecos de várias raças, perguntei-lhe qual era a diferença entre dois meninos de raças diferentes (um branco e um preto) e ele surpreendeu-me com a seguinte resposta:
- “Este tem camisola azul e este encarnada.”
Insisti com ele e perguntei-lhe a diferença entre um chinês e um loiro, ao que ele me chamou a atenção:
- “Não vês que este não é um menino, é uma menina!”

Ana Lagarto
2004

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